Bateu uma maré arretada por aqui e o Plâncton foi perdendo a força. Esse espaço não será mais atualizado mas fica no ar por quanto tempo o UOL sobreviver. Foi muito bom dividir este espaço com vocês. Adoraria que me vê-los no meu novo cantinho. Segue o Link: Rúcula com Abóbrinha http://julouro.wordpress.com/.
Abs da Ju
O copo vazio
A garrafa de tinto lacrada
Uma multidão de ninguéns para acompanhar
Amigos imaginários não bebem!
Não dançam, não falam e muito menos te fazem real companhia.
Eu não queria estar aqui
Queria estar onde os copos tilintam
Onde as vozes ecoam e as palavras amaciam o tanino
Hoje é páscoa afinal!

Radiola: Ando ouvindo Joe Cocker e Led Zeppelin
Vinil
Quantas lembranças cabem nos sulcos negros de um disco de vinil? Não perguntem ao tempo! Pois ele já se esqueceu.
Às vezes parece que todo mundo já se esqueceu. Até mesmo eu, voraz defensora da preservação e utilização dos mesmos, confesso que por descuido ou por vingança deixo-os muitos dias a vagar solitários na multidão inerte da estante.
Eles são tantos! E geralmente carregam mais lembranças do que esta pobre alma pode suportar. Quando da estante saem estão fadados a cruel destino, o de me lembrar que o tempo se esquece da gente e corre desgovernado pelas vielas da vida transformando tudo o que somos em passado instantâneo.
História do Vinil #1 – Harvest – Neil Young
Eu era uma adolescente dos anos 80 sedenta de novas experiências musicais. Passava muito do meu tempo nas lojas de disco conversando com os donos e freqüentadores destas. Especialmente da Musical Box onde sempre rolava altos papos sobre Rock’n Roll. Mas fora isso meus amigos curtiam Duran Duran e Man at work, bandas para as quais eu não dava a menor bola. Eu queria os anos de ouro do rock’n roll e foi aí que surgiu na minha vida um amigo do peito que me aplicou várias bandas me emprestando discos fabulosos que ele havia trazido do Rio de Janeiro. Esta cara é o Zé, José Ricardo Ferreira, o cara que um dia me emprestou Harvest do Neil Young. Ouvir Harvest e talvez Neil Young pela primeira vez foi sem dúvida Uma experiência inesquecível.
Valeu Zé!
Radiola: Harvest anda rolando por aqui à noite, mas escrevo estas linhas ao som dos Allman Brothers.

Quando Luíza fez esta caixinha para mim, de mim desconhecia quase tudo. A caixinha fora encomenda de Silvinha, Uma amiga muito querida minha e de Luíza. Conheci Luíza no dia que ganhei o mimo de Silvinha e assustada perguntei como alguém que não me conhecia podia fazer algo tão com a minha cara. Achei que Silvinha tivesse contado a Luíza da minha paixão pelo “urbano” e da minha adoração por gatos. Mas não! Tudo fora intuição de Luíza, que por fora da caixinha pintou cidades e gatos e por dentro pintou dois corações. O dela e o de Silvinha, assim eu interpretei e por isso não a encho com nada, pois cheia a caixinha sempre está de carinho e amizade.
Radiola: Estou ouvindo "American Analog Set", Uma banda muito legal que descobri dia destes.

Radiola: Ando ouvindo Patti Smith, mais especificamente seu disco de retorno ao cenário músical depois de longo exílio, Gone Again de 1996. Pô parece que foi ontem! Êta tempo arretado!
Nosso Tempo
Nosso tempo não combina mais, o dela é lento o meu descompassado. Mas ela me empurra, ela me empurra para longe dizendo: Vai segue seu tempo! Pega este bonde que ele não pode mais te esperar. Eu me encho de lágrimas, mas subo no bonde, esperando o aceno do adeus.

Radiola: Silêncio...
Às vezes me pergunto o quanto de sanidade ainda me resta. Passo os dias indo e voltando de ficções. Esta mesmo, uma delas. Escrever talvez seja a obra prima das ficções, uma irrealidade sem tamanho, um orgasmo do subconsciente, uma fenda de esperança neste mundo caótico de realidades intangíveis. Seria esta mais uma prova circunstancial da minha loucura? O que fazer então? Se fujo do texto caio direto nos acordes embriagantes de Marigold ou pior já sou Marigold enquanto escrevo, mesmo sem ter a mínima idéia de quem esta seja ou tenha sido. É isto! Sou Marigold, Pennylane, Isolda e Macabéia. Sou tantas que pouco sobra tempo para me ser ou será que este Frankstein pós moderno seja o mesmo que eu. Serei eu formada pelas minhas ficções? Às vezes me pergunto o quanto de sanidade ainda me resta...
Update: Depois de ouvir a música um zilhão de vezes saquei que Marigold não é uma moça é cravo de defunto em inglês. Agora o texto ficou louco de vêz. (risos)
Radiola: humm! Estou ouvindo Foo Fighters de novo, Skin and Bones.
Concertina Desafinada
Queria poder gritar aos quatro ventos a pungência das palavras não ditas. Mas tudo parece tão sem sentido quando vejo o tamanho do vazio que espreita a minha existência. Já sinto a falta do que eu ainda tenho. Ah! Palavras malditas! Não sufoquem o resquício de esperança que ainda conservo em minha alma. Esta é uma boa hora de deus fazer um milagre e provar para mim que ele existe de verdade, eu juro que passaria a escrevê-lo sempre com d maiúsculo como manda a cartilha. Droga! Não queria retomar a minha fé fazendo chantagem, mas que seja. Afinal o tempo passa como se ainda fosse ontem e ontem tínhamos muito mais tempo.

Radiola: Por aqui é tempo de Nirvana com Kurt, Krist e Dave colocando para fora alguns dos seus demônios no Unplugged MTV. Não é preciso dizer mais nada este álbum é um clássico. Deveria fazer parte do currículo escolar.
Meu amigo Sérgio Fonseca do Papel de Pão adora me fazer lembrar que o Rio de Janeiro continua lindo mesmo eu não morando mais lá com sua fotos. Agora vou dar o troco, mostrando como o Espírito Santo é lindo também e aproveitando para fazer o convite das fotos de chapinhas de cerveja em terras capixabas. Para ele, para a moça Clandestina e para quem mais quiser se aventurar.

Radiola: O que anda tocando por aqui é o álbum Rather Ripped do Sonic Youth que foi lançado em 2006. Fantástico!
...O que temos é uma cidade de espectros. Um caleidoscópio que gira alheio a nossa vontade, revelando olhares, polaróides, instantâneos perdidos no tempo e no espaço. Ao atravessarmos a metrópole muitas são as mensagens que nos invadem, uma infinidade de signos, uma superabundância de códigos, que se transformam ao olhar do espectador.
“O indivíduo contemporâneo é em primeiro lugar um passageiro metropolitano: em permanente movimento, cada vez para mais longe, cada vez mais rápido. Esta crescente velocidade determinará não só o olhar, mas, sobretudo o modo pelo qual a própria cidade e, todas as outras coisas se apresentam a nós." (Peixoto, 1995: 361)...
Radiola: O que anda rolando por aqui é o semi acústico do Foo Fighters: Skin and Bones da rebarba de 2006 em CD e DVD. Muito Bom! Principalmente o DVD.
Eu estava dando uma organizada na "casa da mãe joana" que virou o meu computador e acabei achando nos meus arquivos uma página antiga do Plâncton de 2003, que acabou meio como este está se acabando. Mas resolvi dar um jeito nisso! O Plâncton vive! E vem com novas velhas idéias. Neste Post o Texto é de 2003 mas a foto é fresquinha.
Cuidado! Viver é perigoso.
Por Juliana Louro.
Não ande na rua.
Não converse com estranhos.
Não converse com amigos, se são seus amigos, muito provavelmente eles também são estranhos.
Compre uma pistola.
Só atire quando o bandido te matar.
Morra com a pistola na mão (sai melhor na foto).
O melhor a fazer é comprar uma tv.
Assinar a distribuidora de canal a cabo.
Estraçalhar no controle remoto.
Comer pipoca e ficar gordo.
Coloque grades nas janelas.
Coloque trinco nas portas
Peça pizza pelo telefone.
Para que sair neste mundo F...
Ou faça tudo diferente a escolha é sua.

Radiola: Dream Away - Afterglow - Afterglow - 1968
Espelhos
Na minha imagem no espelho
Parte de mim é você.
No espelho vazio o que vejo
Conta tanto de mim, e de você.
Um dia nosso espelho partiu
E refletiu nos meus olhos o vazio
De quem não tinha mais motivo
De rir de mim nem de você.
Foram tempos tristes estes
Mas a vida é cheia de espelhos
E na minha imagem no espelho
Parte de mim ainda é você.
Silêncio! Syd Barret Morreu...

Shine On You Crazy Diamond
by Pink Floyd
Remember when you were young?
You shone like the sun.
Shine on, you crazy diamond
Now there's a look in your eyes
Like black holes in the sky
Shine on, you crazy diamond
You were caught in the crossfire
Of childhood and stardom,
Blown on the steel breeze
Come on you target
for faraway laughter;
Come on you stranger, you legend,
You martyr, and shine
You reached for the secret
too soon
You cried for the moon
Shine on, you crazy diamond
Threatened by shadows at night
And exposed in the light
Shine on, you crazy diamond
Well, you wore out your welcome
With random precision
Rode on the steel breeze
Come on you raver, you seer of visions;
Come on you painter, you piper,
You prisoner, and shine
Nobody knows where you are,
How near or how far
Shine on, you crazy diamond
Pile on many
more layers
And I'll be joining you there
Shine on, you crazy diamond
And we'll bask in the shadow
Of yesterday's triumph
And sail on the steel breeze
Come on you boy child, you winner and loser,
Come on you miner for truth and delusion,
And shine.


Radiola: Michael - Franz Ferdinand - 2004

Auto-retrato: Juliana Louro
Tem dias que me sento e sinto não mais me ver. É como se minha mente pairasse sozinha pela sala tecendo teias de lã a cobrir-me quase inteira. Deixando de fora só duas nesguinhas iluminadas por uma luz tênue: Meus olhos. Os mesmos olhos que ardem ao ver a vida passar radiante em frente àquela teia modorrenta em que me transformei. Teia que capta e sufoca tudo o que permanece. Só resta a vastidão destituída de sentido: O vazio.

Auto-retrato: Juliana Louro
Acho que perdi a destreza do olhar. Ando olhando pouco ultimamente, não que meus olhos permaneçam cerrados, ao contrário, eles estão bem abertos, mas só enxergam sem olhar. É mais fácil viver assim. Olhar pode ser muito arriscado! Quando olhamos algo somos feridos por este instante, dominados por sua natureza, enclausurados em seus labirintos. Por isso, eu acho, muitas pessoas não se permitem olhar. Preferem fitar o mundo a ser tocado por ele. Eu prefiro os socos no estômago, as navalhas a cortar fundo a minha carne e as paixões que não escolhemos viver. Olhar pode ser dor e alegria, mas não podemos escolher entre elas. Quando olhamos corremos o risco de não mais voltar a ser o que certa vez fomos.
Radiola: Out Shined - Soundgarden - Badmotorfinger - 1991

A palavra arde na minha garganta. Febril, grita coisas sem nexo. Ela quer sair, mas alguma coisa dentro de mim a impede. Tenho medo destas palavras que ardem, é mais seguro reprimi-las ainda na garganta, onde perecem seguras pelo silêncio.
Essas palavras que ardem procuram revoluções, não confio nelas, na verdade tenho medo!
Ontem foi um dia sem tamanho. Talvez por isso esta palavra me arda tanto. Não sei que palavra é essa, não a deixo sair com medo de ferir alguém, mas acho que tem alguma coisa a ver com o fato de ontem eu ter ido a um lugar e não a outro. Aí o ontem que era só passado virou este dia sem tamanho que não quer terminar...
Radiola: Sapato Novo - Los Hermanos - 4 - 2005
Foto: André Arruda
Perdoando a Deus - Clarice Lispector
“Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.
... ...
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.*”
*Trechos do conto "Perdoando a Deus" de Clarice Lispéctor que pode ser encontrado no livro "Felicidade Clandestina" de 1971

O Grito - Edward Münch
Composição: Roger Waters
All that you touch
All that you see
All that you taste
All you feel.
All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.
All that you give
All that you deal
All that you buy,
beg, borrow or steal.
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.
All that you eat
everyone you meet
All that you slight
everyone you fight.
All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon.
Radiola: The Grat Gig in The Sky - Pink Floyd - The Dark Side of The Moon - 1973
|
|
|||
|
|||